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Clipping - Diário de Natal
07.03.07

Bienal: desafio para estímulo à leitura

Literatura: a IV Bienal do Livro de Natal será promovida em junho e já tem confirmada a presença de 80 estandes de vendas de livros

AIV Bienal do Livro de Natal já tem data marcada para ocorrer: será entre 1º a 10 de junho próximo, no novo Pavilhão do Centro de Convenções. Ontem, o diretor-executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Armando Filho, e o empresário organizador do evento, Salustiano Fagundes, estiveram reunidos com a governadora, Wilma de Faria, e o prefeito Carlos Eduardo Alves, para apresentar a Bienal e renovar a participação do Poder Público, a partir do convênio que permite que professores e diretores de escolas comprem livros durante o evento, com uma espécie de Vale Livro, subsidiado pelo Governo.

Para o diretor-executivo da CBL, Armando Filho, as bienais que já ocorrem em todo o país - tendo o pioneirismo em São Paulo - já ultrapassaram o conceito de simples ‘‘- feiras’’ que dão acesso a livros. Atualmente, esses eventos envolvem diversas atividades culturais, como discussões, debates, exposições e, dentre elas, a oportunidade de o leitor conhecer seus autores preferidos. A CBL é uma entidade privada sem fins lucrativos que visa promover o
mercado editorial brasileiro e difundir o hábito da leitura. É ela quem organiza a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a mais antiga do país (40 anos); assim como também subsidia os demais eventos desse porte no país, com o Salão de Idéias, que, entre outras coisas, articula a presença de autores nas bienais.

Mas, se por um lado as bienais são verdadeiras vitrines para o mercado editorial, por outro, os números no Brasil no que se refere a público leitor e estímulo à leitura são visivelmente baixos. Segundo Armando Filho, num universo de mais de 180 milhões de brasileiros, apenas 26 milhões são leitores. O índice nacional é de 1,8 livro para cada habitante/ano; enquanto que nos Estados Unidos, por exemplo, a média é de 5 livros para cada habitante, e na Europa, esse número varia de 6 a 8 livros para cada pessoa. O Governo também parece não fazer a sua parte. Investe bastante em livros didáticos, mas ainda está aquém no investimento em livros paradidáticos.

Nos EUA, 30% da produção de livros vai parar nas bibliotecas públicas ou privadas. No Brasil, esse percentualé de 1%. ‘‘Nosso problema hoje é hábito de leitura. Devemos começar com a criança - antes mesmo da alfabetização - com a família lendo pra ela; as escolas também fazendo seu papel, assim como também o Governo disponibilizando livros, gratuitamente, em suas bibliotecas’’, sugere o diretor-executivo da CBL.

Sobre o preço alto dos livros, Armando Filho faz uma espécie de proporção. Segundo ele, um livro que tem uma tiragem de 2 mil exemplares, tem determinado preço. Porém, uma vez havendo mais leitores, e essa tiragem fosse para 10 mil exemplares, certamente, esse preço cairia.

‘‘Numa cidade - que não vou citar o nome - que fica a 150 quilômetros de São Paulo, não há livraria. E isso é um retrato nacional. Falta livraria e falta o contato do leitor. Daí, qual seria então o papel das feiras de livro? Estimular a presença das pessoas, de modo que elas tenham contato físico com os livros e até mesmo com os autores’’, diz Armando Filho.

NOVIDADES

De acordo com Salustiano Fagundes, a IV Bienal do Livro de Natal já tem confirmado a presença de 80 estandes de vendas de livros, com um espaço exclusivo para literatura de Cordel. Uma outra novidade desse ano serão as oficinas oferecidas pelo Grupo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos (Grupehq) aos leitores.

O poeta Ferreira Itajubá será o grande homenageado do evento e a Bienal também está promovendo esse ano o Concurso O conto que conto - uma iniciativa que deverá estimular a escrita em jovens de 12 a 16 anos, de escolas públicas ou privadas.‘‘Cada escola deverá fazer uma préseleção interna e inscrever três alunos até maio. Uma comissão julgadora irá determinar os três ganhadores que terão seus contos publicados num livro, que será autografado por eles durante a bienal’’, explicou Fagundes.

O regulamento do Concurso pode ser encontrado no site da Bienal: www.bienaldenatal.com.br.