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Clipping - TRIBUNA DO NORTE
07.03.07

O ano da Bienal

por Rafael Duarte - Repórter

Tom Zé, Gabriel Pensador, Rui Guerra, Jomard Muniz de Brito, Caio Callado, Moacir Cirne e Daylor Varela foram confirmadas como as primeiras atrações da 4ª Bienal Nacional do Livro de Natal, que ocorre entre os dias 1o e 10 de junho no pavilhão novo do Centro de Convenções de Natal, na Via Costeira. A entrada é gratuita. Nesta edição, o evento rende homenagens à Tropicália e ao Poema Processo, que completam 40 anos em 2007 (o ministro Gilberto Gil também foi convidado mas ainda não confirmou presença), além de celebrar nomes importantes da cultura potiguar, como os poetas Ferreira Itajubá, Manoel Dantas e Jorge Fernandes, cuja publicação de seu “Livro de Poemas” completa este ano 80 primaveras.

A coordenadora da Bienal de Natal, Alair Fagundes, conta, no entanto, que a grande novidade do evento é o impulso à criação literária dos adolescentes matriculados em escolas públicas e particulares. Isso porque o concurso “Conto que conto” vai premiar com um computador, um celular e um cheque-livro no valor de R$ 350 os três melhores contos inscritos pelas escolas da capital através do site www.bienaldenatal.com.br. “Decidimos fazer esse concurso para incentivar as crianças e adolescentes de 12 a 16 anos a ler e escrever. Vai funcionar assim: cada escola poderá inscrever três contos, que eles devem escolher internamente. Aí a comissão julgadora da bienal, formada por profissionais ligados à literatura em Natal vão escolher três contos. Uma semana antes da bienal os nomes dos vencedores serão divulgados e estarão dividindo o mesmo espaço do evento com as atrações nacionais e locais. É um incentivo e as inscrições já estão abertas”, disse.

Ao lado da coordenação da Bienal de Natal, o diretor executivo da Academia Brasileira do Livro sediada em São Paulo, Armando Antogine Filho, afirmou que gostaria de implantar a idéia na Bienal de São Paulo, que recebe mais de 800 mil pessoas nos dez dias de evento mesmo com o ingresso custando R$ 10 e o estacionamento do parque do Anhembi saindo pela bagatela de R$ 20.

Para a ABL, tendência é preço único do livro

À pedido da reportagem, ele fez uma análise sobre o alto preço dos livros no mercado brasileiro e afirmou que a tendência do país é seguir o exemplo de algumas países da Europa, como a França, onde, segundo ele, se cobra um preço único pelo livro. “Essa questão já vem sendo discutida e causando polêmica. O problema todo é que a negociação entre as livrarias e as editoras pequenas é muito difícil porque se a livraria só conseguir vender, por exemplo, cinco exemplares dos 50 livros que chegaram, ela fica com mais cinco e devolve 40. E esse retorno para a livraria tem que vir ou através de novas publicações, para que haja condições de venda, ou em dinheiro vivo. Mas as pequenas editoras nem sempre têm obras novas para lançar e dinheiro também não. Na França, todas as livrarias são obrigadas a dar o mesmo desconto. Assim há mais competitividade. Essa é a tendência do mercado brasileiro”, disse. 

Segundo Armando Filho, o Brasil conta hoje com duas mil livrarias - quando o ideal levando em conta a população de mais de 180 milhões de habitantes seria ter cinco vezes mais - e apenas 530 editoras ativas. Para ele, a solução é incentivar a leitura na base. “Não tem outra solução. Pela população, deveríamos contar com dez mil livrarias no Brasil. Mas isso só vai aumentar quando o povo for incentivado a ler”, afirmou.